MMPs made easy (Portuguese edition)
Complex wounds, Skin integrity | Gibson D, Cullen B, Legerstee R, Harding KG e Schultz G.
Portuguese version of the MMPs made easy document
Introdução
Este artigo descreve o que são as MMPs e a importância do seu papel na cicatrização de feridas normais e complicadas. Discute-se, em particular, a relevância das MMPs para a prática clínica, incluindo intervenções correntes e potenciais, com o objectivo de modular a sua actividade.
O que são as MMPs?
As matrizes metaloproteinases (MMPs) fazem parte da família mais alargada das enzimas metaloproteinases que assumem um papel importante na cicatrização das feridas [1,2].
As enzimas são proteínas que facilitam reacções biológicas, mas que não são consumidas nem sofrem alterações quando elas próprias tomam parte nas reacções. Geralmente actuam sobre um número limitado de moléculas (conhecidas como substratos das enzimas), transformando-as fisicamente noutras substâncias. As proteinases (também conhecidas como proteases) são enzimas que actuam sobre as proteínas, geralmente fragmentando a molécula da proteína.
Os substratos naturais para as diferentes MMPs variam substancialmente, mas incluem importantes proteínas da matriz extracelular (MEC)s como o colagénio, a gelatina e os proteoglicanos. As MMPs degradam estas proteínas fragmentando-as em pequenas partes. Diferentes MMPs podem actuar sequencialmente e em diversas partes do mesmo substrato.
Porque é que se chamam matrizes metaloproteinases?
A designação "matriz metaloproteinase" (ou "matriz metaloprotease") indica as propriedades-chave partilhadas pelas MMPs. Todas elas:
- preferencialmente, degradam as proteínas que compõem a matriz extracelular dos tecidos
- requerem um ião metálico (zinco) no centro activo da enzima
Como se produzem as MMPs?
Em cicatrização de feridas normal, as MMPs são produzidas pelas:
- células inflamatórias activadas (neutrófilos e macrófagos)
- células das feridas (células epiteliais, fibroblastos e células endoteliais vasculares).
Quando sintetizadas inicialmente, as MMPs permanecem em forma latente (inactivas ou pro-MMP). Elas são activadas por outras proteases que recortam uma parte pequena da molécula. Isto abre o centro activo da molécula MMP e permite à MMP ligar-se ao(s) substrato(s) da sua proteína. Outras células chamadas inibidores de tecido de metaloproteinases (TIMPs) podem inibir as MMPs activadas e bloquear a activação de pro-MMPs (Figura 1).
Até à data, foram identificadas 23 MMPs humanas. A investigação relativa às feridas tem incidido principalmente sobre a MMP-1, a MMP-2, a MMP-8 e a MMP-9. Enquanto que a maioria das MMPs é segregada para a MEC (matriz extracelular) circundante, algumas MPPs mantêm-se associadas a membranas celulares e são conhecidas como MMPs "tipo membrana" (MMP-TPs). Pensa-se que este grupo de MMPs desempenha um papel importante na
activação de pro-MMPs, bem como na activação de pro-TNF (factor de necrose tumoral - um mediador importante envolvido na inflamação e morte celular).



